sábado, maio 22, 2010

It Happened One Night.

É interessante ver como certos filmes feitos antigamente permanecem extremamente atuais, no sentido dos temas abordados. Filmes como Metropolis (1927), Some Like it Hot (1959) e (que agora se tornou um dos meus preferidos!) It Happened One Night (1934).


Peter ensinando Ellie seu método "infalível" pedir carona

A história, que hoje em dia pode soar pouco original e banal, é a seguinte: Ellie (Claudette Colbert, com suas sombrancelhas finérrimas!) é uma herdeira mimada que decide fugir do pai porque este não aceita seu casamento com um playboy de Nova York. Na sua fuga, ela decide tomar um ônibus, coisa que seu pai e os detetives que ele pôs em seu encalço nunca iriam imaginar. No ônibus, conhece um jornalista meio fracassado chamado Peter (Sim, Clark Gable, mais irônico do que nunca!), que ao descobrir a identidade de Ellie resolve tirar proveito da situação e ganhar uma manchete de jornal. Ellie por sua vez, acaba aceitando viajar com o rapaz, já que não sabia mesmo como se virar sozinha. Assim, fingem que são recém-casados para evitar intrometidos (o que não ajuda muito), já que o pai de Ellie estava oferecendo uma recompensa de $10.000 para quem lhe devolvesse a filha.
A viagem dos dois rende cenas hilárias com diálogos sarcátiscos, como a que Peter fala da arte e da psicologia do ato de despir-se (!). A farsa que montam para enganar os detetives (com direito a uma Ellie histérica e Peter, um marido brucutu) e a cena de Peter ensinado a Ellie o método "infalível" para se pedir carona, são as mais engraçadas do filme.
O final, como nas maiorias das comédias românticas, é um tanto óbvio, mas não menos engraçado, com "as muralhas de Jericó" finalmente caindo ao som das trombetas.

Ellie ensinando a Peter o seu método infalível de pedir carona


É o tipo de filme que poderia ser feito hoje, mas que poderia perder parte de sua graça. Sem o charme irônico de Clark Gable e a arrogância e indiferença da Ellie de Claudette Colbert o filme não seria a mesma coisa.




Bem, nos vemos por aí!

sexta-feira, maio 21, 2010

Robin Begins

(CUIDADO! Contém spoilers!)
A nova versão de Robin Hood é um tanto diferente. Ao contrário das outras versões, que mostram o herói como o fora-da-lei da maneira que todos conhecemos, a versão de 2010 simplesmente narra como um tal Robin Longstride se transformou em Robin Hood.



O filme começa em uma batalha na qual o rei Ricardo, voltando da sua cruzada insana,(o que é interesssante, e me fez lembrar o Kingdom of Heaven (2005), também do Ridley Scott. Este termina exatamente com o rei Ricardo partindo para Jerusálem. Seria uma espécie de ligação, talvez?) combate os franceses. Nessa mesma batalha é introduzido um certo Robin Longstride, que não passa de um soldado comum. Nisso o filme se desenrola até a morte do rei. E devido a uma série de eventos, Robin acaba tendo que levar a coroa do rei falecido a Inglaterra para seu irmão maluco, o príncipe João. E também acaba fazendo um pacto com um nobre morimbundo, e deve levar a espada deste para o pai, o que acaba transformando o protagonista numa espécie de office boy [!]
Depois de levar a coroa a Londres, ele finalmente chega em Nottingham para entregar a espada. E encontra um lugar um tanto acabado.
O pai desse nobre pede para que Robin assuma a identidade do seu filho morto para que a viúva, Lady Marion, não seja expulsa da propriedade.
Nessa parte do filme, o ritmo se torna bem lento. Robin salva o lugar e tudo parece que vai ficar bem. Mas uma tropa francesa liderada por um inglês que era próximo do rei João se aproxima da região e promete queimar e saquear tudo.
Bem, o resto do filme são só batalhas, sangue, flechas e etc.
Depois disso, Robin Longstride se torna um fora-da-lei e passa a ser conhecido como [dã] Robin Hood.
No final, passa-se a idéia (ou pelo menos eu entendi assim!) de que seria possível uma continuação, e desse vez, contando a história que já é de conhecimento geral, já que o filme todo funciona como um prólogo, uma espécie de Batman Begins. Mas acho que não daria muito certo uma continuidade.

O filme não é baseado em fatos reais, então não vá esperando encontrar referências históricas reais e tudo mais. Até porquê, Robin Hood não passa de mera especulação!

É um ótimo entretenimento para quem gosta dos épicos típicos de Ridley Scott. Não tão bom quanto Gladiator (2001) ou Kingdom of Heaven, mas que vale a pena ser assistido.

Au revoir!

terça-feira, maio 18, 2010

AFI's 100 movies... O retorno!

Há algum tempo resolvi assistir todos os filmes que estão na lista de 2007 do AFI e fazer comentários relativos a eles aqui no Empada.
Mas acabei desistindo no 97º.
É.

Mas agora, pra dar um tempero a mais pro Empada (apesar de quase ninguém ler isso aqui), resolvi retornar a lista.
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E é isso.
Aguardem.

P.S.: Para não parecer que comecei do 97º, aqui vão os links dos outros
100º - Ben Hur (1959)
99º - Toy Story (1995)
98º - Yankee Doodle Dandy (1942)

segunda-feira, maio 10, 2010

De Jane Austen a James Joyce

Estava lendo artigos na internet sobre as obras de Jane Austen e encontrei relacionado ao Orgulho e Preconceito um site de tirinhas, como aquelas que tem na página de horóscopos de jornais.
Resolvi então clicar numa tirinha que dizia a respeito do Mr.Darcy. E achei uma comédia.
Então, resolvi vasculhar o resto do site. Imagina a minha surpresa ao ver que nem Maria Antonieta foi poupada( e é uma das melhores!).
Tem tirinhas sobre História com Napoleão roubando biscoitos, e tirinhas ironizando escritores. As irmãs Brontë também não escaparam.
Ainda não terminei de ler todas, mas o site realmente vale a pena!

Link:
Hark! a vagrant

sábado, abril 17, 2010

Annie Hall - 1977


"After that it got pretty late, and we both had to go, but it was great seeing Annie again. I... I realized what a terrific person she was, and... and how much fun it was just knowing her; and I... I, I thought of that old joke, y'know, the, this... this guy goes to a psychiatrist and says, 'Doc, uh, my brother's crazy; he thinks he's a chicken.' And, uh, the doctor says, 'Well, why don't you turn him in?' The guy says, 'I would, but I need the eggs.' Well, I guess that's pretty much now how I feel about relationships; y'know, they're totally irrational, and crazy, and absurd, and... but, uh, I guess we keep goin' through it because, uh, most of us... need the eggs."

segunda-feira, abril 12, 2010

Tanta expectativa...

Uma produção que deu o que falar. Juntar Tim Burton e um dos livros mais alucinógenos e absurdos de todos os tempos com certeza daria um ótimo filme. Mas não foi bem isso que aconteceu...

Achei Alice in Wonderland uma grande decepção. Foram 3 anos de longa espera pra ter um filme altamente comercial, com um roteiro tosco e perfomances que beiram o ridículo (leia-se Mia Wasikowska)

Para começar, o roteiro foi apenas baseado no livros de Lewis Carroll. Logo, você que é fã dos livros, não espere encontrar grandes coisas. O País das Maravilhas é apenas um cenário e os personagens são meros figurantes onde o foco é uma Alice inexpressiva e sua busca de sua identidade; O que é típico de filmes baratos da Disney, a famosa fórmula "siga seus sonhos e seja você mesmo!".

a expressividade contagiante de Mia Wasikowska

Se a Disney queria fazer um filme comercial para fãs adolescentes, conseguiu. E acho que isso nem deixou o Tim Burton muito feliz. É só ver como ele está animado nas coletivas de imprensa. Ele próprio declarou que foi "exaustivo" trabalhar com a tela verde.

Mas tenho que admitir que, de fato tiveram algumas poucas cenas que me fizeram exclamar "olha que legal, isso tem no livro". Poucas, mas tiveram.

Achei também que as atuações do Johnny Depp e da Helena Bonham Carter não foram tão marcantes como nos outros filmes do Tim Burton (Sweeney Todd, por exemplo). Ele, um Chapeleiro que não convence (fica subentendido que ele se apaixona pela Alice [!]). Ela, uma Rainha de Copas que me foi totalmente indiferente. O mesmo para Anne Hathaway. Apesar de ter achado fofos os trejeitos dela.

Tem também a trilha sonora! Quando soube que Avril Lavigne iria cantar a canção tema, eu tive um ataque apoplético. Só isso já deixava uma pista para qual público eles estavam direcionando o filme.
Não que eu seja contra as adolescentes que lêem Capricho, mas é que...
Ah, a verdade é que ninguém gostava muito de Alice até saberem desse filme !

Para concluir, acho que Tim Burton perdeu a mão nesse filme. Não tem muito do toque macabro e sórdido dele. O máximo que teve foram as cabeças num lago no castelo da Rainha de Copas. Só. Onde estão as tiradas sarcásticas e o ar soturno de antes?



Agora eu fico imaginando: e se todos os blockbusters de agora em diante forem assim, em 3D com um roteiro pobre e óbvio?


De fato, o fim do mundo está próximo!






Eu me despeço aqui, cheia de ódio no coração.

P.S: Pra se ter uma noção do que eu estou falando em termos de trilha sonora, dá uma olhada no clip da chatinha da Avril. É assustador.

sábado, março 20, 2010

Dorian

O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, se tornou, hum, um tipo de nova "fixação". Comprei o livro há mais ou menos uma semana( e até o presente momento, não terminei de ler) e achei muito chocante. Então, resolvi baixar o filme. Só que existem umas três versões, uma de 1918, 1945 e uma de 2009, que tem uns 6 meses de lançamento, mas que não tem nem previsão de estréia no Brasil.

O que é uma pena. O filme realmente vale a pena ser visto. Tem o (gatíssimo) Ben Barnes (de As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian) como personagem título, Colin Firth como o lorde Henry Wotton (duplamente Mr. Darcy!) e Rachel Hurd-Wood como a boba Sybil Vane (a Wendy da versão de 2004 de Peter Pan, lembra?).

A história foi bem adaptada. E deixa bastante explícito o que no livro fica nas entrelinhas. Tipo o relacionamento obviamente homossexual entre o entediante Basil Hallward (Ben Chaplin) e Dorian. E, pasmem, com direito a sexo entre os personagens, cuja cena o diretor teve a bondade de cortar. (imagina meu choque ao ver o Ben Barnes beijando outro homem! Já basta o Heath Ledger no Brokeback Mountain!)


Pois bem, vamos à história. Dorian Gray, uma rapaz extremamente bonito (OH Ben!) que está retornando à Londres depois da morte do avô e tutor lorde Kelso. Ele também é extremamente ingênuo, mas mesmo assim, ou talvez por isso mesmo, acaba atraindo a atenção de parte da elite londrina. Nesse grupo, estão o pintor intelectual Basil Hallward, que nutre uma paixão secreta por Dorian ( não correspondida) e o dândi lorde Henry Wotton.
Basil resolve pintar um retrato do belíssimo Dorian. E enquanto isso, lorde Henry começa a atrair o pobre Dorian pra sua visão de vida e faz com que o rapaz perceba ao admirar em seu retrato pronto o quanto é bonito. Então, o garoto faz um pedido irreal de que ele próprio nunca perca sua beleza, enquanto o retrato sofra o peso da idade.
Daí, vemos Dorian virar um hedonista orgiástico, fumador de ópio e totalmente imoral, enquanto seu retrato vai se tornando cada vez mais horrendo, pois este vai absorvendo todas as feridas -físicas e morais- de Dorian
O final... Bom, não vale a pena estragar a surpresa. Mas se você já viu A Liga Extraordinária, provavelmente você se lembra do fim do Dorian Gray, certo? Senão, leia o livro. Ou veja esse filme. São ambos, de fato, muito bons.

Bem, nos vemos por aí. Vou tentar arrumar um quadro desse gênero pra mim.

Fiquemos com a melhor (e mais divertida) das teorias de lorde Henry Wotton:
"(...) - A senhora, duquesa, seria capaz de se lembrar de algum grande erro que tivesse cometido em tenra idade?
- De muitos, receio.
- Então, cometa-os de novo. - ensinou lorde Henry, sério. - Para se recuperar a juventude, basta fazer as mesmas loucuras."